Crônicas e escrita autobiográfica
Tati Bernardi ensina a escrever crônicas e textos de ficção a partir da autobiografia.
Tati Bernardi
Ela é autora de nove livros, colunista da Folha, apresentadora de podcasts e roteirista de filmes e séries que somam milhões de espectadores.
Aula 01 - O poder das palavras
Tati começa o curso contando como descobriu que gostava de narrar os eventos da própria vida e, mais importante, como percebeu que sua escrita provocava um efeito nas pessoas. Ela também tala sobre o primeiro texto que saiu da gaveta e sobre o começo da carreira.
Aula 02 - Da publicidade para os livros e roteiros
Nesta aula, Tati conta como fez a transição de carreira para se dedicar aos textos. Ela explica sua estratégia inicial para conquistar espaço, diz que é fundamental “atirar para todo lado” e fala sobre o universo de novelas e de séries.
Aula 03 - Caminhos para publicar textos
Escritora de múltiplas facetas, Tati conta como toram os primeiros passos para publicar livros e como se tornou colunista da Folha de S.Paulo. Ela também afirma não ter vergonha de ser uma autora popular.
Aula 04 - Formação da voz narrativa - parte 1
O estilo da escrita se constrói após a leitura de inúmeros livros. Tati traça uma espécie de linha do tempo de autores que a influenciaram e, de formas variadas, ajudaram a moldar seu caminho.
Aula 05 - Formação da voz narrativa - parte 2
A escritora explica as fontes que a levaram a constituir um estilo único, em que usa o humor e o exagero para criar efeitos literários e amplificar sua própria exposição ao ridículo.
Tati lista as vantagens que enxerga na crônica e mostra como parte desse gênero para produzir romances e roteiros de séries ou de filmes. Ela também apresenta sua forma de criar histórias, discute a temática que cabe na crônica e mostra as diferenças em relação ao conto.
A escritora explica a origem do gênero literário a que mais se dedica, discute as preocupações temáticas e literárias, apresenta a diferença em relação a outros formatos e debate o limite da exposição de conhecidos.
Tati não tem uma rotina clássica de quem vive apenas dos livros. Ela produz textos em diferentes formatos, então precisa organizar seu trabalho de acordo com isso. Nesta aula, ela também conta de onde vêm suas ideias e o que provoca bloqueio criativo.
Aula 09 - Cuidados com o texto
Existem diversas técnicas para escrever bem, e Tati compartilha algumas delas nesta aula, incluindo estratégias para prender a atenção do leitor. Ela também debate as dificuldades de lidar com textos de humor e fala sobre a criação de diálogos.
Tati gosta de saber que está provocando seus leitores e os tirando da zona de conforto. Nesta aula, a escritora também explica de que maneira lida com os feedbacks e afirma que é fundamental participar da divulgação das próprias obras.
Aula 11 - Conclusão últimas dicas
Tati encerra o curso com algumas dicas finais para quem quer escrever.
Processamento
Feito com ajuda do VidaLoka Escritor o3
1. Resumo executivo (≈ 350 palavras cada)
Aula 01 – O poder das palavras
Bernardi narra a gênese do seu impulso narrativo. Criança “observadora profissional”, diverte-se inventando apelidos e convertendo colegas em personagens. Descobre cedo o poder performativo da escrita quando usa o diário para testar se a mãe o lia, plantando mentiras escabrosas que resultam num “conselho de família”. O episódio estabelece a ideia-força: texto movimenta pessoas e produz consequências concretas. Outra virada: no velório do avô, a autora nota que narrar mentalmente a cena fornece distância psíquica e alívio da ansiedade – mecanismo que depois vira método literário. A alfabetização precoce com o avô e as sessões de terapia na adolescência reforçam a percepção de que histórias capturam atenção e produzem humor, mesmo diante de temas dolorosos. Já adulta, explode o primeiro texto “fora da gaveta” ao reagir ao sequestro de Washington Olivetto na W/Brasil: um desabafo sobre cinismo corporativo viraliza internacionalmente, rende convite da revista TPM e confirma que escrever é tanto necessidade quanto oportunidade. Conclusão meta-didática: este curso não entrega “engenharia” de roteiros, mas sim um relato aplicado de como produzir incessantemente, em múltiplos formatos, a partir de impulso autobiográfico.
Aula 02 – Da publicidade para os livros e roteiros
Sete anos de agência moldam uma escrita sucinta (“briefing de 30 páginas virando frase de outdoor”). Entre deadlines, Bernardi abastece blog/site pessoal com crônicas “Sex and the City da Mooca”, aproveitando o nicho que revistas masculinas abrem para vozes femininas confessional-irônicas. Ao perceber que publicidade deixa de servir, mira roteiro televisivo e consegue vaga em oficina de humor na Globo através de Alexandre Machado. Trabalha em séries, mas aspira novela; Maria Adelaide Amaral elogia sua “voz única” ao mesmo tempo em que mostra o limite dessa singularidade para escrever 50 personagens. Surge a máxima: atirar para todo lado – manter empregos alimentícios, colunas, roteiros, peças, podcasts – aumenta chances de sobrevivência literária. Também nasce a crítica ao “amor à arte” usado por produtores para não pagar roteiristas, tema de crônica que lhe abre porta na Folha e fecha algumas em cinema. Moral: cultivar voz autoral + estratégia de mercado = independência.
Aula 03 – Caminhos para publicar textos
Debuta em livro pela PandaBooks após convite surgido de participações radiofônicas; usa rótulo irônico “Mulher que Não Prestava” como branding. Identifica machismo estrutural que empurra mulheres para nicho “relacionamentos”, mas assume agência sobre isso. Define tríade de ambições (Folha, Flip, Companhia das Letras) e faz movimento ousado: envia crônicas à Folha sem alterar estilo coloquial. Conquista espaço graças a texto que denuncia hipocrisia de produtoras de cinema (“amor ao cinema” x não pagar roteiristas). Aprende que popularidade não é pecado – “não tenha vergonha de ser vendido” – e que publicidade ensinou autopromoção útil num mercado onde herdeiros demonizam marketing por não precisar dele.
Aula 04 – Formação da voz narrativa – Parte 1
Traça linha de influências: de Machado, Clarice e Jorge Amado a Herman Hesse, John Fante (Arturo Bandini) e Philip Roth. Fascínio por anti-heróis, narrativas de um-para-um, carne viva, verborragia e humor negro. Cada livro próprio nasce “destravado” por leitura-gatilho: Bill Clegg dá ritmo ao “Depois da Louca Sou Eu”; Vivian Gornick inspira “Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha”. Reconhece virada política: Annie Ernaux e Eduard Louis legitimam autoficção como gesto de classe e gênero. Defende critério do Antônio Prata: não importa o quanto é verdade, importa se o leitor acredita.
Aula 05 – Formação da voz narrativa – Parte 2
Aprofunda repertório: Nelson Rodrigues (furos da família burguesa), Nabokov (“na literatura pode tudo”), Salinger (simplicidade existencialista), David Sedaris (humor autobiográfico validando exposição familiar), Fernanda Young (exagero como efeito literário). Louva maldade e anti-heroísmo como antídoto ao narcisismo óbvio do “eu”. Admite limitação – só cria a própria persona – mas usa psicanálise para torná-la tridimensional. Ressalta dramaturgos (Yasmina Reza, Albee, Nicky Silver) como modelos de diálogo claustrofóbico. Fixa tese: exagero + ridículo próprio + punchline invertida = assinatura Bernardi.
Aula 06 – A crônica como base
Ergue a crônica como matriz de tudo: romances, roteiros e podcasts são colagens de “mini-crônicas” alinhavadas por escaleta cinematográfica. Repudia “encheção de linguiça” (descrever 90 páginas de caminho) e novelas arrastadas; prefere concisão ansiosa. Explica técnica: elaborar escaleta cena-a-cena, depois preencher cada entrada com crônica de até 3 200 caracteres (modelo Folha). Confessa aversão à “engenharia” de roteiro (página 18, midpoint etc.) e delega essa etapa. Estrutura típica de crônica: entrada provocativa, desenvolvimento ambivalente, fechamento que inverte expectativa. Contextualiza: durante governo Bolsonaro, inclinou-se a política, mas voltava ao cotidiano para “dar respiro”. Cita Antônio Cândido para diferenciar crônica (miúdo + verdade cotidiana) de conto (ficção mítica).
Aula 07 – Autoficção
Define conceito (mistura fato + invenção) via Tatiana Levy; traça raízes francesas (Doubrovsky, Lejeune). Rejeita fronteiras rígidas: “artista é livre”. Distingue autoficção de memorialística (100 % verdade) e literatura de testemunho (verdade + cor ficcional). Principal critério de qualidade: preocupação literária e empática, não “viagem narcisista”. Aborda limites legais e éticos de exposição: mudar nomes/gênero/época e assumir risco de magoar conhecidos. Cita caso Sophie Calle vs. ex-namorado como defesa do “direito de narrar a própria dor”. Fecha reforçando regra de ouro: texto parte sempre de base real, exagero fornece musculatura ficcional.
Aula 08 – Processo criativo
Bernardi descreve vida “multiprojetos”: livros, colunas, podcasts, videocasts, roteiros e palestras coexistem para garantir renda e combustível criativo. Rotina é dispersa: escreve “o dia todo”, mas literatura só ocupa janelas intercaladas entre deadlines de mídia. Inspiração vem 70 % “pensada a semana inteira”, 30 % know-how automático. Revezamento leitura × escrita: quando mergulha num livro, reduz leituras críticas e desliga podcasts. Coleta de ideias migra de “arquivão” no PC (20–30 anos) para áudios em grupo de WhatsApp “eu comigo mesma”; outros grupos (amigas, cronistas) funcionam como laboratório coletivo, com pacto de possíveis crônicas. Valoriza observar miudezas da família da Zona Leste; reforça que “aventura interior” basta para literatura. Bloqueios criativos aparecem hoje via críticas e rede social, mas são superados por boletos + confiança.
Aula 09 – Cuidados com o texto
Técnicas de engajamento: 1) postura de “leitor leigo” em temas políticos; 2) crônicas raivosas autênticas (“fígado sangrando”); 3) exposição mais desastrada que a do leitor. Regras negativas: evitar lugares-comuns (ex.: “7 × 1”) e frases feitas; podar repetições involuntárias. Processo de qualidade: revisora profissional da Companhia das Letras + segunda leitura na Folha. Humor: prioriza auto-ironia, carrega no exagero para sinalizar sarcasmo e evitar leituras literais. Diálogo (cinema): menos é mais; odeia “frases-slogan” típicas de publicitários. Modelos de diálogo: Nora Ephron, Noah Baumbach, Woody Allen (como autor, não como pessoa).
Aula 10 – Reação do público
Objetivo primário: emocionar via provocação. Hater que lê tudo é “melhor leitor” — sinal de impacto. Diferencia feedback útil (professores, editores, colegas) de crítica corrosiva on-line. Autoconhecimento: fala demais em podcasts; verborragia em roteiros precisa de poda; narcisismo é mitigado com auto-zoeira. Promoção sem vergonha: usa Instagram, YouTube, TikTok, lives, viagens a livrarias; recusa Twitter. Conflito pessoa física (fóbica) vs. pessoa jurídica (marketeira) é resolvido em terapia, mas vende livros com humor auto-depreciativo.
Aula 11 – Conclusão: últimas dicas
Leitura prazerosa é pré-condição para escrita; abandonar “livro importante mas chato”. Encontrar estilo próprio sem fetiche acadêmico; comédia é difícil e digna. Nutrir-se de stand-up, quadrinhos e literatura variada. Treinar olhar fora das telas — o algoritmo repete, a rua surpreende. Observação paciente de parentes, filas e padarias gera melhor crônica do que “aurora boreal com amor ideal”.
2. Glossário
Termo | Significado | Contexto de uso (aplicação prática) | Aula(s) |
---|---|---|---|
Crônica | Texto curto, cotidiano, com punch final | Formato-raiz: coluna na Folha, matéria-prima de romances, roteiros e podcasts | 01, 06 |
Autoficção | Narrativa que combina vivência real e invenção literária | Estrutura de livros como “Você Nunca…”, permite exagerar fatos sem perder autenticidade | 07 |
Literatura memorialística | Relato 100 % factual da vida do autor | Quando a intenção é registro fiel, sem licença criativa | 07 |
Literatura de testemunho | Relato histórico traumático com pequena ficcionalização | Exemplos sobre ditadura, Holocausto, escravidão – ficção ajuda o leitor a sentir o absurdo | 07 |
Voz narrativa | Timbre autoral reconhecível | Diferencial de mercado; também limita Tati em projetos com muitos personagens | 02 |
Escaleta | Esqueleto de cenas sem diálogos | Ferramenta para organizar filmes, séries e “romances de crônicas” | 02, 06 |
Engenharia de roteiro | Modelo matemático de viradas (pág. 18, midpoint etc.) | Método que a autora delega a parceiros; prefere focar em diálogos | 06 |
Fígado exposto | Escrita crua e visceral | Marca estilística para transmitir ansiedade, raiva ou confissão | 01, 05 |
Texto de gaveta | Material escrito, não publicado | Rascunhos que podem virar colunas, livros ou ser descartados | 01 |
Viralizar | Espalhar-se organicamente pela rede | Texto do sequestro de Olivetto circulou mundo e abriu portas | 01 |
Oportunismo literário | Aproveitar fatos para escrever | Postura assumida: todo escritor “rouba” matéria do mundo | 01 |
Pacto autobiográfico | Regra: autor e personagem têm o mesmo nome | Sinaliza ao leitor que se trata de autobiografia | 07 |
Anti-herói | Protagonista falho, ridículo | Persona “Tati Bernardi” se expõe ao vexame para gerar empatia | 04, 05 |
Exagero | Aumento dramático ou cômico de fatos reais | Recurso que turbina crises de pânico, cenas de ridículo, etc. | 05, 07 |
Punchline invertida | Fecho que frustra expectativa | Estrutura-chave de cada crônica (“ponto de virada final”) | 06 |
Amor à arte | Desculpa de produtor para não pagar roteirista | Tema da crônica que levou a autora ao impresso da Folha | 03 |
Dialoguista | Roteirista focado em diálogos | Função que Tati assume após outros escreverem a escaleta | 02, 09 |
Atirar para todo lado | Diversificar formatos e renda | Combina publicidade, colunas, roteiros, podcasts, teatro | 02, 08 |
Literatura popular | Texto para grande público sem culpa de “vender” | Filosofia da autora: fila de autógrafos vale mais que elogio erudito | 03 |
“Fleabag brasileira” | Rótulo de mercado comparativo | Como a HBO tentou vender uma série da autora aos moldes de “Fleabag” | 02 |
Arquivão de ideias | Documento antigo cheio de ganchos | Banco criado dos 20 aos 30 anos para crônicas, filmes, séries | 08 |
WhatsApp-solo | Grupo de WhatsApp onde manda áudios para si | Ferramenta atual de captura instantânea de frases e temas | 08 |
Grupo-laboratório | WhatsApp só de cronistas/amigas | Troca e disputa de temas; pacto de uso livre em crônicas | 08 |
Lugar-comum | Metáfora/chavão batido | “Parecia 7 × 1”; mata surpresa do leitor | 09 |
Frase feita | Expressão pronta que enfraquece originalidade | “O gato subiu no telhado” — cortada na revisão | 09 |
Revisora externa | Profissional que caneta gramática e ritmo | Contratada da Companhia das Letras para primeira poda técnica | 09 |
Repetição intencional | Uso deliberado da mesma palavra muitas vezes | Ex.: crônica da “coisa” com 86 ocorrências – a palavra vira personagem | 09 |
Diálogo verborrágico | Falas em excesso que exibem o roteirista | Erro a evitar em cinema; prefere pausas e subtexto | 09 |
Auto-zoeira | Bater mais em si do que nos outros | Estratégia ética e humorística ao ridicularizar chefes, ex, família | 09 |
Hater-leitor | Odiador que consome tudo | Indicador de provocação bem-sucedida; “melhor leitor” | 10 |
Persona jurídica | Versão pública/marketeira da autora | Faz lives, eventos e divulga livro apesar da fobia social | 10 |
Promo stack | Pacote de canais de divulgação (IG, TikTok, YouTube, lives, rádio) | Estrutura de marketing pessoal controlada pela própria autora | 10 |
Bloqueio relâmpago | Paralisa criativa breve após ataques on-line | Dura horas ou dias; superada por boletos + autoconfiança | 08 |
Leitura por prazer | Escolher livros que empolgam | Mantenha o hábito de leitura; abandonar “livro importante, porém chato” | 11 |
Anti-lugar-comum (checagem) | Passo de revisão que caça clichês | Ferramenta dentro do checklist de qualidade final | 09 |
Ironômetro | Teste de clareza da ironia | Se a piada pode ser lida literalmente, exagerar 20 % | 09 |
3. Checklists - Crônica & Autoficção ao estilo Tati Bernardi
(siga em ordem; marque ✓ ao concluir cada sub-passo)
1 . Garimpo de matéria-prima
1.1 Observe miudezas do dia (parentes, filas, noticiário).
1.2 Capture no ato → áudio no “WhatsApp-solo”, nota em caderno ou foto-contexto.
1.3 Filtro de originalidade: “Só eu veria/sentiria assim?” Se não, descarte ou reprocesse.
2 . Seleção, Ângulo e Risco
2.1 Eleja o fato com emoção crua (fígado exposto) ou raiva legítima.
2.2 Defina regime de verdade: memorialístico (0 % ficção) ou autoficção (exagero ok).
2.3 Analise quem pode se ofender/processar → troque nome, idade, época, cidade se preciso.
3 . Pré-planejamento rápido
3.1 Redija “Premissa + Punch invertida” em 1 linha.
3.2 (Opcional > 1 500 caracteres) faça mini-escaleta 3-5 blocos.
3.3 Cheque ausência de lugar-comum no mote.
3.4 Confirme tamanho-alvo: máx. 3 200 caracteres.
4 . Rascunho bruto
4.1 Escreva em fluxo contínuo, sem polir.
4.2 Insira auto-zoeira (≥ 50 % pancada em você).
4.3 Mantenha parágrafos curtos; evite “caminho A→B” descritivo.
5 . Revisão de autor (estilo + ironia)
5.1 Verbo forte abre parágrafos; delete advérbios fofos (“literalmente”, “muito”).
5.2 Passo Anti-lugar-comum: troque “7×1”, “gato no telhado” etc.
5.3 Ironômetro: se sarcasmo pode ser lido ao pé da letra → aumentar absurdo 20 %.
5.4 Caça-repetição: manter só se efeito intencional.
5.5 Leitura em voz alta: deve soar conversa de bar sem travas.
6 . Check legal/ético expresso
Item | OK? |
---|---|
Nome/sobrenome trocados | |
Dados identificáveis diluídos | |
Menor de idade protegido | |
Marcas ou pessoas públicas citadas com respaldo? |
7 . Revisão técnica externa
7.1 Envie para revisora/colega → gramática, ritmo, advérbios.
7.2 Aceite ≥ 80 % canetadas; discuta as que mexem na voz.
8 . Título & Punchline final
8.1 Título “slogan de outdoor” (herança publicidade).
8.2 Confirme punch invertida: leitor precisa sair desconcertado.
9 . Publicação + Promo stack
9.1 Entregue ao veículo (jornal/blog/newsletter).
9.2 Divulgue: IG post + stories (piada auto-depreciativa), short TikTok/YouTube, live ou rádio se cabível.
10 . Monitoramento & higiene mental
10.1 Ler só amostra de comentários; ignorar ódio sem leitura.
10.2 Registrar feedback útil (voz, ritmo, diálogo).
10.3 Bloqueio relâmpago? Pausa curta, lembrar boletos, voltar ao passo 1.
11 . Pós-publicação (recall & palestras)
11.1 Anotar trechos que viralizaram para uso em palestra ou curso.
11.2 Atualizar banco de temas recorrentes; arquivar crônica aprovada.
12 . Reciclagem de material
12.1 Movimentar crônicas em pastas por tema.
12.2 Ao chegar a 30–40 peças → montar escaleta de livro ou série.
12.3 Descartar textos datados; salvar frases fortes no “Arquivão de ideias”.
Seguir este fluxo integra as práticas mostradas em todas as 11 aulas: observação miúda, exagero consciente, humor auto-direcionado, revisão dupla, checagem legal e marketing sem culpa.
4. Mapa de temas recorrentes
Tema | Aulas | Citação-semente | Observação / Foco |
---|---|---|---|
Poder performativo da palavra | 01-02 | “Um texto provoca nesse lugar.” | Texto como ato que convoca plateia ou desencadeia crise |
Narrar para sobreviver à ansiedade | 01-06 | “Narrar me acalmava.” | Escrita = ferramenta de regulação emocional |
Exposição & limites éticos | 01-07 | “Só queria provar que minha mãe lia meu diário.” | Do diário infantil ao caso Sophie Calle |
Voz autoral × mercado | 02-05 | “Você escreve como você falaria.” | Elogio + barreira para novelas e roteiros coletivos |
Anti-heroína ridícula | 04-05 | “Eu vou me expor o máximo ao ridículo.” | Auto-zombaria como marca de persona |
Concisão versus enrolação | 02-06 | “Briefing de 30 páginas vira frase de outdoor.” | Guerra declarada à descrição ociosa |
Popularidade sem culpa | 03 | “Não tenha vergonha de ser vendido.” | Carreira orientada a leitores, não a elite |
Mal-estar do roteiro industrial | 02-06 | “Subplot da página 18… não sei.” | Crítica à ‘engenharia’ hollywoodiana |
Coleta digital de ideias | 08 | “Me mando áudios no WhatsApp-solo o dia inteiro.” | Arquivão antigo → áudios e grupos de WhatsApp |
Observação do cotidiano como ouro | 08-11 | “Você não precisa da aurora boreal; basta a tia na cadeira.” | Miudezas da Zona Leste rendem crônicas |
Revisão profissional & anti-clichê | 09 | “Lugar-comum me dá aflição.” | Revisora externa + passo Anti-lugar-comum |
Humor, ironia e auto-zoeira | 09 | “Carrego na tinta para deixarem claro que é ironia.” | Auto-pancada ≥ 50 % do texto |
Originalidade versus lugar-comum | 09 | “7 × 1 já deu.” | Busca contínua por frase que só a autora diria |
Hater-leitor & provocação propositada | 10 | “O hater que me lê é meu melhor leitor.” | Irritar/encantar simultaneamente como meta estética |
Autopromoção multicanal | 10 | “Sou uma tímida exibida — estou no IG, TikTok, YouTube.” | Marketing pessoal administrado pela própria autora |
Bloqueio relâmpago & higiene mental | 08-10 | “Sofro, lembro dos boletos, volto a escrever.” | Táticas de recuperação pós-crítica |
Leitura por prazer & estilo próprio | 11 | “Se o livro te faz dormir, largue.” | Manter leitura viva e sem culpa, base do desenvolvimento de voz |
Saúde física × rotina de escrita | 08 | “Hoje gasto horas em fisioterapia para conseguir sentar e escrever.” | Limitações corporais influenciam ritmo de produção |
Feedback construtivo como lapidação | 02-10 | “Celina disse: era maravilhoso o que você escreveu sobre o vaso.” | Professores, editores e colegas moldam, mas críticas destrutivas são filtradas |
Diversificar formatos (‘atirar para todo lado’) | 02-08 | “Publicidade, colunas, roteiros, podcasts, teatro — tudo ao mesmo tempo.” | Estratégia financeira e criativa contínua |
5. Referências
ID | Aula | Contexto da menção / aplicação | Referência (obra ‑ autor ‑ ferramenta ‑ projeto) |
---|---|---|---|
1 | 01 | Ferramenta de expressão e prova de bisbilhotice materna | Diário pessoal |
2 | 01 | Cartilha usada pelo avô para alfabetização | Caminho Suave |
3 | 01 | Ambiente profissional onde ocorreu o sequestro | Agência W/Brasil |
4 | 01 | Figura-símbolo da publicidade brasileira | Washington Olivetto |
5 | 01 | Revista que ofereceu a 1ª coluna após texto viral | TPM |
6 | 01 | Gêneros em que a autora “atira para todo lado” | Podcast; filme; série; livro; crônica; peça de teatro |
7 | 01 | Recurso terapêutico citado como influência | Psicanálise / terapia |
8 | 02 | Plataforma inicial de divulgação de crônicas | Blog / site “Tati Bernardi” |
9 | 02 | Série modelo para persona urbana-romântica | Sex and the City – personagem Carrie Bradshaw |
10 | 02 | Revistas masculinas onde publicou colunas | VIP; Alpha; Playboy |
11 | 02 | Mentor que indicou oficina de humor na Globo | Alexandre Machado |
12 | 02 | Séries globais em que trabalhou | Os Normais; Aline |
13 | 02 | Autor da tira que originou série “Aline” | Adão Iturrusgarai |
14 | 02 | Núcleo de criação humorística citado | Guel Arraes |
15 | 02 | Novelas em que colaborou | Sangue Bom; A Vida da Gente |
16 | 02 | Autores-chefe dessas novelas | Maria Adelaide Amaral; Vincent Villari; Lícia Manzo |
17 | 02 | Série estrangeira usada como comparação de mercado | Fleabag – Phoebe Waller-Bridge |
18 | 02 | Canal que aprovou (e engavetou) série | HBO |
19 | 02 | Formato que adotou para autonomia | Podcast (roteirista / apresentadora) |
20 | 02 | Minissérie baseada em Nelson Rodrigues | A Vida Como Ela É |
21 | 03 | Primeira editora de livros da autora | PandaBooks |
22 | 03 | Editor/dono da Panda; autor de “Guia dos Curiosos” | Marcelo Duarte |
23 | 03 | Programa de rádio onde lia crônicas | BandNews – dir. André Luiz Costa |
24 | 03 | Livros iniciais publicados | Mulher que Não Prestava; Tô com vontade de uma coisa que eu não sei o que é |
25 | 03 | Metas profissionais declaradas | Coluna na Folha; Flip; publicar na Companhia das Letras |
26 | 03 | Série de resenhas enxutas que mantém | Coluna “É Coisa Fina” |
27 | 04 | Obra que despertou fascínio leitor | Capitães de Areia – Jorge Amado |
28 | 04 | Novela psicológica revisitada aos 20 anos | O Alienista – Machado de Assis |
29 | 04 | Romance que a impactou no vestibular | Um Copo de Cólera – Raduan Nassar |
30 | 04 | Trinca de autores formadores | Clarice Lispector; Herman Hesse – O Lobo da Estepe; John Fante – Pergunte ao Pó / Arturo Bandini |
31 | 04 | Livro-gatilho para “Depois da Louca Sou Eu” | Retrato de um viciado quando jovem – Bill Clegg |
32 | 04 | Livro-gatilho para “Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha” | Apegos Ferozes – Vivian Gornick |
33 | 04 | Referências contemporâneas de autoficção | Annie Ernaux; Édouard Louis |
34 | 04 | Autor citado como “ficção que é fato” | Pedro Mairal |
35 | 04 | Cronista mencionado como influência crítica | Antônio Prata |
36 | 05 | Dramaturgo lido desde adolescência | Nelson Rodrigues (+ bio de Ruy Castro) |
37 | 05 | Romance prova de que “vale tudo” em literatura | Lolita – Vladimir Nabokov |
38 | 05 | Ficcionista brasileira elogiada pela maldade | Andréa del Fuego – A Pediatra |
39 | 05 | Clássico da simplicidade adolescente | O Apanhador no Campo de Centeio – J.D. Salinger |
40 | 05 | Humorista que legitima exposição familiar | David Sedaris – Dress Your Family in Corduroy and Denim |
41 | 05 | Livro de exagero confessional citado | Às Favas com o Coração – Fernanda Young |
42 | 05 | Thriller existencial usado como motor de leitura | Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos – Rubem Fonseca |
43 | 05 | Peça favorita de diálogos claustrofóbicos | Deus da Carnificina – Yasmina Reza |
44 | 05 | Dramaturgos complementares | Edward Albee; Nicky Silver |
45 | 05 | Conto paradigmático citado duas vezes | A Terceira Margem do Rio – Guimarães Rosa |
46 | 06 | Romances próprios baseados em crônicas | Depois da Louca Sou Eu; Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha; A Boba da Corte |
47 | 06 | Editoras envolvidas | Companhia das Letras; Fósforo |
48 | 06 | Ensaio crítico que define a crônica | “A Vida ao Resto do Chão” – Antonio Cândido (Para Gostar de Ler: Crônicas) |
49 | 06 | Frase-gancho/mantra de abertura | A Metamorfose – Franz Kafka |
50 | 06 | Comparação conto × crônica | A Terceira Margem do Rio – Guimarães Rosa |
51 | 07 | Livro que apresentou o termo autoficção | A Chave de Casa – Tatiana Salem Levy |
52 | 07 | Criador do termo e obra citada | Serge Doubrovsky – Fils |
53 | 07 | Teórico do “pacto autobiográfico” | Philippe Lejeune – O Pacto Autobiográfico |
54 | 07 | Caso-arte sobre término | Sophie Calle – Exposição “Cuide de Você” |
55 | 07 | Plataformas de autoexposição citadas | Instagram; Twitter; BlueSky; Facebook |
56 | 07 | Exemplos de literatura de testemunho/memória | Narrativas sobre ditadura, Holocausto, escravidão |
57 | 07 | Próprios livros como autoficção | Depois da Louca Sou Eu; Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha |
58 | 08 | Rotinas de escritores citadas | Haruki Murakami (corrida); David Sedaris (caminhadas) |
59 | 08 | Ferramenta de captura atual | WhatsApp-solo (grupo com ela mesma) |
60 | 08 | Grupos de troca de ideias | WhatsApp de amigas; WhatsApp de cronistas Folha |
61 | 08 | Quadrinista/socióloga usada como referência | Liv Strömquist |
62 | 08 | Romance citado como metáfora poderosa | A Cachorra – Pilar Quintana |
63 | 09 | Manuais de estilo citados | Manuais de escrita da Folha de S.Paulo |
64 | 09 | Profissional de revisão | Revisora da Companhia das Letras |
65 | 09 | Filme turco de diálogos mínimos | Climas – Nuri Bilge Ceylan |
66 | 09 | Filme brasileiro citado como exemplo de verborragia | Toque – Tatá Werneck (protagonista) |
67 | 09 | Modelos de diálogo elogiados | Nora Ephron (When Harry Met Sally…); Noah Baumbach |
68 | 09 | Autor cujos filmes ela maratonou para diálogo | Woody Allen |
69 | 10 | Plataformas de autopromoção (promo stack) | TikTok; YouTube; lives; rádio |
70 | 11 | Autores/obras recomendados como leitura prazerosa | Marguerite Duras; Eduard Louis; Annie Ernaux; Pedro Mairal |
71 | 11 | Gênero citado para nutrir comédia | Stand-up comedy |
72 | 11 | Referência a evitar (crítica) | “Livros de influencers e autoajuda” (categoria geral) |
6. Mapa Mental Simples
🧠 Tati Bernardi – mapa mental geral
📝 Impulso narrativo
🔹 Poder performativo do texto
- Texto convoca plateia ou cria encrenca
🔹 Narrar × ansiedade
- Crônica como autorregulação
🔹 Exagero e autoficção
- Fato real hipertrofiado vira literatura
🎯 Carreira & mercado
🔹 Atirar para todo lado
- Publicidade, colunas, roteiros, podcasts, teatro
🔹 Voz autoral vs. engenharia de roteiro
- Mantém diálogos, delega matemática
🔹 Popularidade sem culpa
- Fila de autógrafos > elogio erudito
🛠️ Ferramentas & processo
🔹 Escaleta + crônica de 3 200 car.
- Mini-blocos para livros e filmes
🔹 Coleta digital
- WhatsApp-solo, grupos-laboratório, arquivão
🔹 Revisão dupla
- Auto + revisora externa (anti-clichê)
🔹 Ironômetro & anti-lugar-comum
- Exagerar sarcasmo, caçar chavões
😊 Humor & ironia
🔹 Auto-zoeira ≥ 50 %
- Bater em si antes de bater nos outros
🔹 Anti-herói ridículo
- Persona cai, falha, confessa
⚖️ Exposição & ética
🔹 Limites legais (troca de nomes)
- Proteção contra processo
🔹 Direito de narrar a dor
- Caso Sophie Calle como justificativa
🚦 Público & promoção
🔹 Hater-leitor como métrica de sucesso
- Irritar + encantar = objetivo
🔹 Promo stack multicanal
- Instagram, TikTok, YouTube, lives, rádio
🔹 Monitoramento e bloqueio relâmpago
- Ler amostra, pausar, voltar a escrever
📚 Influências & repertório
🔹 Clássicos BR: Machado, Amado, Rodrigues
🔹 Estrangeiros: Nabokov, Salinger, Fante, Roth
🔹 Contemporâneos: Ernaux, Louis, Sedaris, del Fuego
🔹 Modelos de diálogo: Nora Ephron, Noah Baumbach
🔥 Temas recorrentes
🔹 Família burguesa & furos de discurso
- Podridão por trás da fachada
🔹 Concisão vs. enrolação
- “Briefing de 30 páginas vira outdoor”
🔹 Ansiedade, fobias, ridículo público
🔹 Observação do cotidiano (Zona Leste, padaria)
💡 Leitura & saúde criativa
🔹 Leitura por prazer, abandonar livro chato
- Manter cérebro a favor da literatura
🔹 Saúde física da escritora
- Fisioterapia e pausas para sustentar escrita