Crônicas e escrita autobiográfica

Tati Bernardi ensina a escrever crônicas e textos de ficção a partir da autobiografia.

Tati Bernardi

Ela é autora de nove livros, colunista da Folha, apresentadora de podcasts e roteirista de filmes e séries que somam milhões de espectadores.


Aula 01 - O poder das palavras

Tati começa o curso contando como descobriu que gostava de narrar os eventos da própria vida e, mais importante, como percebeu que sua escrita provocava um efeito nas pessoas. Ela também tala sobre o primeiro texto que saiu da gaveta e sobre o começo da carreira.

Aula 02 - Da publicidade para os livros e roteiros

Nesta aula, Tati conta como fez a transição de carreira para se dedicar aos textos. Ela explica sua estratégia inicial para conquistar espaço, diz que é fundamental “atirar para todo lado” e fala sobre o universo de novelas e de séries.

Aula 03 - Caminhos para publicar textos

Escritora de múltiplas facetas, Tati conta como toram os primeiros passos para publicar livros e como se tornou colunista da Folha de S.Paulo. Ela também afirma não ter vergonha de ser uma autora popular.

Aula 04 - Formação da voz narrativa - parte 1

O estilo da escrita se constrói após a leitura de inúmeros livros. Tati traça uma espécie de linha do tempo de autores que a influenciaram e, de formas variadas, ajudaram a moldar seu caminho.

Aula 05 - Formação da voz narrativa - parte 2

A escritora explica as fontes que a levaram a constituir um estilo único, em que usa o humor e o exagero para criar efeitos literários e amplificar sua própria exposição ao ridículo.

Aula 06 - A crônica como base

Tati lista as vantagens que enxerga na crônica e mostra como parte desse gênero para produzir romances e roteiros de séries ou de filmes. Ela também apresenta sua forma de criar histórias, discute a temática que cabe na crônica e mostra as diferenças em relação ao conto.

Aula 07 - Autoficção

A escritora explica a origem do gênero literário a que mais se dedica, discute as preocupações temáticas e literárias, apresenta a diferença em relação a outros formatos e debate o limite da exposição de conhecidos.

Aula 08 - Processo criativo

Tati não tem uma rotina clássica de quem vive apenas dos livros. Ela produz textos em diferentes formatos, então precisa organizar seu trabalho de acordo com isso. Nesta aula, ela também conta de onde vêm suas ideias e o que provoca bloqueio criativo.

Aula 09 - Cuidados com o texto

Existem diversas técnicas para escrever bem, e Tati compartilha algumas delas nesta aula, incluindo estratégias para prender a atenção do leitor. Ela também debate as dificuldades de lidar com textos de humor e fala sobre a criação de diálogos.

Aula 10 - Reação do público

Tati gosta de saber que está provocando seus leitores e os tirando da zona de conforto. Nesta aula, a escritora também explica de que maneira lida com os feedbacks e afirma que é fundamental participar da divulgação das próprias obras.

Aula 11 - Conclusão últimas dicas

Tati encerra o curso com algumas dicas finais para quem quer escrever.


Processamento

Feito com ajuda do VidaLoka Escritor o3

1. Resumo executivo (≈ 350 palavras cada)

Aula 01 – O poder das palavras

Bernardi narra a gênese do seu impulso narrativo. Criança “observadora profissional”, diverte-se inventando apelidos e convertendo colegas em personagens. Descobre cedo o poder performativo da escrita quando usa o diário para testar se a mãe o lia, plantando mentiras escabrosas que resultam num “conselho de família”. O episódio ­estabelece a ideia-força: texto movimenta pessoas e produz consequências concretas. Outra virada: no velório do avô, a autora nota que narrar mentalmente a cena fornece distância psíquica e alívio da ansiedade – mecanismo que depois vira método literário. A alfabetização precoce com o avô e as sessões de terapia na adolescência reforçam a percepção de que histórias capturam atenção e produzem humor, mesmo diante de temas dolorosos. Já adulta, explode o primeiro texto “fora da gaveta” ao reagir ao sequestro de Washington Olivetto na W/Brasil: um desabafo sobre cinismo corporativo viraliza internacionalmente, rende convite da revista TPM e confirma que escrever é tanto necessidade quanto oportunidade. Conclusão meta-didática: este curso não entrega “engenharia” de roteiros, mas sim um relato aplicado de como produzir incessantemente, em múltiplos formatos, a partir de impulso autobiográfico.

Aula 02 – Da publicidade para os livros e roteiros

Sete anos de agência moldam uma escrita sucinta (“briefing de 30 páginas virando frase de outdoor”). Entre deadlines, Bernardi abastece blog/site pessoal com crônicas “Sex and the City da Mooca”, aproveitando o nicho que revistas masculinas abrem para vozes femininas confessional-irônicas. Ao perceber que publicidade deixa de servir, mira roteiro televisivo e consegue vaga em oficina de humor na Globo através de Alexandre Machado. Trabalha em séries, mas aspira novela; Maria Adelaide Amaral elogia sua “voz única” ao mesmo tempo em que mostra o limite dessa singularidade para escrever 50 personagens. Surge a máxima: atirar para todo lado – manter empregos alimentícios, colunas, roteiros, peças, podcasts – aumenta chances de sobrevivência literária. Também nasce a crítica ao “amor à arte” usado por produtores para não pagar roteiristas, tema de crônica que lhe abre porta na Folha e fecha algumas em cinema. Moral: cultivar voz autoral + estratégia de mercado = independência.

Aula 03 – Caminhos para publicar textos

Debuta em livro pela PandaBooks após convite surgido de participações radiofônicas; usa rótulo irônico “Mulher que Não Prestava” como branding. Identifica machismo estrutural que empurra mulheres para nicho “relacionamentos”, mas assume agência sobre isso. Define tríade de ambições (Folha, Flip, Companhia das Letras) e faz movimento ousado: envia crônicas à Folha sem alterar estilo coloquial. Conquista espaço graças a texto que denuncia hipocrisia de produtoras de cinema (“amor ao cinema” x não pagar roteiristas). Aprende que popularidade não é pecado – “não tenha vergonha de ser vendido” – e que publicidade ensinou autopromoção útil num mercado onde herdeiros demonizam marketing por não precisar dele.

Aula 04 – Formação da voz narrativa – Parte 1

Traça linha de influências: de Machado, Clarice e Jorge Amado a Herman Hesse, John Fante (Arturo Bandini) e Philip Roth. Fascínio por anti-heróis, narrativas de um-para-um, carne viva, verborragia e humor negro. Cada livro próprio nasce “destravado” por leitura-gatilho: Bill Clegg dá ritmo ao “Depois da Louca Sou Eu”; Vivian Gornick inspira “Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha”. Reconhece virada política: Annie Ernaux e Eduard Louis legitimam autoficção como gesto de classe e gênero. Defende critério do Antônio Prata: não importa o quanto é verdade, importa se o leitor acredita.

Aula 05 – Formação da voz narrativa – Parte 2

Aprofunda repertório: Nelson Rodrigues (furos da família burguesa), Nabokov (“na literatura pode tudo”), Salinger (simplicidade existencialista), David Sedaris (humor autobiográfico validando exposição familiar), Fernanda Young (exagero como efeito literário). Louva maldade e anti-heroísmo como antídoto ao narcisismo óbvio do “eu”. Admite limitação – só cria a própria persona – mas usa psicanálise para torná-la tridimensional. Ressalta dramaturgos (Yasmina Reza, Albee, Nicky Silver) como modelos de diálogo claustrofóbico. Fixa tese: exagero + ridículo próprio + punchline invertida = assinatura Bernardi.

Aula 06 – A crônica como base

Ergue a crônica como matriz de tudo: romances, roteiros e podcasts são colagens de “mini-crônicas” alinhavadas por escaleta cinematográfica. Repudia “encheção de linguiça” (descrever 90 páginas de caminho) e novelas arrastadas; prefere concisão ansiosa. Explica técnica: elaborar escaleta cena-a-cena, depois preencher cada entrada com crônica de até 3 200 caracteres (modelo Folha). Confessa aversão à “engenharia” de roteiro (página 18, midpoint etc.) e delega essa etapa. Estrutura típica de crônica: entrada provocativa, desenvolvimento ambivalente, fechamento que inverte expectativa. Contextualiza: durante governo Bolsonaro, inclinou-se a política, mas voltava ao cotidiano para “dar respiro”. Cita Antônio Cândido para diferenciar crônica (miúdo + verdade cotidiana) de conto (ficção mítica).

Aula 07 – Autoficção

Define conceito (mistura fato + invenção) via Tatiana Levy; traça raízes francesas (Doubrovsky, Lejeune). Rejeita fronteiras rígidas: “artista é livre”. Distingue autoficção de memorialística (100 % verdade) e literatura de testemunho (verdade + cor ficcional). Principal critério de qualidade: preocupação literária e empática, não “viagem narcisista”. Aborda limites legais e éticos de exposição: mudar nomes/gênero/época e assumir risco de magoar conhecidos. Cita caso Sophie Calle vs. ex-namorado como defesa do “direito de narrar a própria dor”. Fecha reforçando regra de ouro: texto parte sempre de base real, exagero fornece musculatura ficcional.

Aula 08 – Processo criativo

Bernardi descreve vida “multiprojetos”: livros, colunas, podcasts, videocasts, roteiros e palestras coexistem para garantir renda e combustível criativo. Rotina é dispersa: escreve “o dia todo”, mas literatura só ocupa janelas intercaladas entre deadlines de mídia. Inspiração vem 70 % “pensada a semana inteira”, 30 % know-how automático. Revezamento leitura × escrita: quando mergulha num livro, reduz leituras críticas e desliga podcasts. Coleta de ideias migra de “arquivão” no PC (20–30 anos) para áudios em grupo de WhatsApp “eu comigo mesma”; outros grupos (amigas, cronistas) funcionam como laboratório coletivo, com pacto de possíveis crônicas. Valoriza observar miudezas da família da Zona Leste; reforça que “aventura interior” basta para literatura. Bloqueios criativos aparecem hoje via críticas e rede social, mas são superados por boletos + confiança.

Aula 09 – Cuidados com o texto

Técnicas de engajamento: 1) postura de “leitor leigo” em temas políticos; 2) crônicas raivosas autênticas (“fígado sangrando”); 3) exposição mais desastrada que a do leitor. Regras negativas: evitar lugares-comuns (ex.: “7 × 1”) e frases feitas; podar repetições involuntárias. Processo de qualidade: revisora profissional da Companhia das Letras + segunda leitura na Folha. Humor: prioriza auto-ironia, carrega no exagero para sinalizar sarcasmo e evitar leituras literais. Diálogo (cinema): menos é mais; odeia “frases-slogan” típicas de publicitários. Modelos de diálogo: Nora Ephron, Noah Baumbach, Woody Allen (como autor, não como pessoa).

Aula 10 – Reação do público

Objetivo primário: emocionar via provocação. Hater que lê tudo é “melhor leitor” — sinal de impacto. Diferencia feedback útil (professores, editores, colegas) de crítica corrosiva on-line. Autoconhecimento: fala demais em podcasts; verborragia em roteiros precisa de poda; narcisismo é mitigado com auto-zoeira. Promoção sem vergonha: usa Instagram, YouTube, TikTok, lives, viagens a livrarias; recusa Twitter. Conflito pessoa física (fóbica) vs. pessoa jurídica (marketeira) é resolvido em terapia, mas vende livros com humor auto-depreciativo.

Aula 11 – Conclusão: últimas dicas

Leitura prazerosa é pré-condição para escrita; abandonar “livro importante mas chato”. Encontrar estilo próprio sem fetiche acadêmico; comédia é difícil e digna. Nutrir-se de stand-up, quadrinhos e literatura variada. Treinar olhar fora das telas — o algoritmo repete, a rua surpreende. Observação paciente de parentes, filas e padarias gera melhor crônica do que “aurora boreal com amor ideal”.


2. Glossário

TermoSignificadoContexto de uso (aplicação prática)Aula(s)
CrônicaTexto curto, cotidiano, com punch finalFormato-raiz: coluna na Folha, matéria-prima de romances, roteiros e podcasts01, 06
AutoficçãoNarrativa que combina vivência real e invenção literáriaEstrutura de livros como “Você Nunca…”, permite exagerar fatos sem perder autenticidade07
Literatura memorialísticaRelato 100 % factual da vida do autorQuando a intenção é registro fiel, sem licença criativa07
Literatura de testemunhoRelato histórico traumático com pequena ficcionalizaçãoExemplos sobre ditadura, Holocausto, escravidão – ficção ajuda o leitor a sentir o absurdo07
Voz narrativaTimbre autoral reconhecívelDiferencial de mercado; também limita Tati em projetos com muitos personagens02
EscaletaEsqueleto de cenas sem diálogosFerramenta para organizar filmes, séries e “romances de crônicas”02, 06
Engenharia de roteiroModelo matemático de viradas (pág. 18, midpoint etc.)Método que a autora delega a parceiros; prefere focar em diálogos06
Fígado expostoEscrita crua e visceralMarca estilística para transmitir ansiedade, raiva ou confissão01, 05
Texto de gavetaMaterial escrito, não publicadoRascunhos que podem virar colunas, livros ou ser descartados01
ViralizarEspalhar-se organicamente pela redeTexto do sequestro de Olivetto circulou mundo e abriu portas01
Oportunismo literárioAproveitar fatos para escreverPostura assumida: todo escritor “rouba” matéria do mundo01
Pacto autobiográficoRegra: autor e personagem têm o mesmo nomeSinaliza ao leitor que se trata de autobiografia07
Anti-heróiProtagonista falho, ridículoPersona “Tati Bernardi” se expõe ao vexame para gerar empatia04, 05
ExageroAumento dramático ou cômico de fatos reaisRecurso que turbina crises de pânico, cenas de ridículo, etc.05, 07
Punchline invertidaFecho que frustra expectativaEstrutura-chave de cada crônica (“ponto de virada final”)06
Amor à arteDesculpa de produtor para não pagar roteiristaTema da crônica que levou a autora ao impresso da Folha03
DialoguistaRoteirista focado em diálogosFunção que Tati assume após outros escreverem a escaleta02, 09
Atirar para todo ladoDiversificar formatos e rendaCombina publicidade, colunas, roteiros, podcasts, teatro02, 08
Literatura popularTexto para grande público sem culpa de “vender”Filosofia da autora: fila de autógrafos vale mais que elogio erudito03
“Fleabag brasileira”Rótulo de mercado comparativoComo a HBO tentou vender uma série da autora aos moldes de “Fleabag”02
Arquivão de ideiasDocumento antigo cheio de ganchosBanco criado dos 20 aos 30 anos para crônicas, filmes, séries08
WhatsApp-soloGrupo de WhatsApp onde manda áudios para siFerramenta atual de captura instantânea de frases e temas08
Grupo-laboratórioWhatsApp só de cronistas/amigasTroca e disputa de temas; pacto de uso livre em crônicas08
Lugar-comumMetáfora/chavão batido“Parecia 7 × 1”; mata surpresa do leitor09
Frase feitaExpressão pronta que enfraquece originalidade“O gato subiu no telhado” — cortada na revisão09
Revisora externaProfissional que caneta gramática e ritmoContratada da Companhia das Letras para primeira poda técnica09
Repetição intencionalUso deliberado da mesma palavra muitas vezesEx.: crônica da “coisa” com 86 ocorrências – a palavra vira personagem09
Diálogo verborrágicoFalas em excesso que exibem o roteiristaErro a evitar em cinema; prefere pausas e subtexto09
Auto-zoeiraBater mais em si do que nos outrosEstratégia ética e humorística ao ridicularizar chefes, ex, família09
Hater-leitorOdiador que consome tudoIndicador de provocação bem-sucedida; “melhor leitor”10
Persona jurídicaVersão pública/marketeira da autoraFaz lives, eventos e divulga livro apesar da fobia social10
Promo stackPacote de canais de divulgação (IG, TikTok, YouTube, lives, rádio)Estrutura de marketing pessoal controlada pela própria autora10
Bloqueio relâmpagoParalisa criativa breve após ataques on-lineDura horas ou dias; superada por boletos + autoconfiança08
Leitura por prazerEscolher livros que empolgamMantenha o hábito de leitura; abandonar “livro importante, porém chato”11
Anti-lugar-comum (checagem)Passo de revisão que caça clichêsFerramenta dentro do checklist de qualidade final09
IronômetroTeste de clareza da ironiaSe a piada pode ser lida literalmente, exagerar 20 %09

3. Checklists - Crônica & Autoficção ao estilo Tati Bernardi

(siga em ordem; marque ✓ ao concluir cada sub-passo)

1 . Garimpo de matéria-prima
 1.1 Observe miudezas do dia (parentes, filas, noticiário).
 1.2 Capture no ato → áudio no “WhatsApp-solo”, nota em caderno ou foto-contexto.
 1.3 Filtro de originalidade: “Só eu veria/sentiria assim?” Se não, descarte ou reprocesse.

2 . Seleção, Ângulo e Risco
 2.1 Eleja o fato com emoção crua (fígado exposto) ou raiva legítima.
 2.2 Defina regime de verdade: memorialístico (0 % ficção) ou autoficção (exagero ok).
 2.3 Analise quem pode se ofender/processar → troque nome, idade, época, cidade se preciso.

3 . Pré-planejamento rápido
 3.1 Redija “Premissa + Punch invertida” em 1 linha.
 3.2 (Opcional > 1 500 caracteres) faça mini-escaleta 3-5 blocos.
 3.3 Cheque ausência de lugar-comum no mote.
 3.4 Confirme tamanho-alvo: máx. 3 200 caracteres.

4 . Rascunho bruto
 4.1 Escreva em fluxo contínuo, sem polir.
 4.2 Insira auto-zoeira (≥ 50 % pancada em você).
 4.3 Mantenha parágrafos curtos; evite “caminho A→B” descritivo.

5 . Revisão de autor (estilo + ironia)
 5.1 Verbo forte abre parágrafos; delete advérbios fofos (“literalmente”, “muito”).
 5.2 Passo Anti-lugar-comum: troque “7×1”, “gato no telhado” etc.
 5.3 Ironômetro: se sarcasmo pode ser lido ao pé da letra → aumentar absurdo 20 %.
 5.4 Caça-repetição: manter só se efeito intencional.
 5.5 Leitura em voz alta: deve soar conversa de bar sem travas.

6 . Check legal/ético expresso

ItemOK?
Nome/sobrenome trocados
Dados identificáveis diluídos
Menor de idade protegido
Marcas ou pessoas públicas citadas com respaldo?

7 . Revisão técnica externa
 7.1 Envie para revisora/colega → gramática, ritmo, advérbios.
 7.2 Aceite ≥ 80 % canetadas; discuta as que mexem na voz.

8 . Título & Punchline final
 8.1 Título “slogan de outdoor” (herança publicidade).
 8.2 Confirme punch invertida: leitor precisa sair desconcertado.

9 . Publicação + Promo stack
 9.1 Entregue ao veículo (jornal/blog/newsletter).
 9.2 Divulgue: IG post + stories (piada auto-depreciativa), short TikTok/YouTube, live ou rádio se cabível.

10 . Monitoramento & higiene mental
 10.1 Ler só amostra de comentários; ignorar ódio sem leitura.
 10.2 Registrar feedback útil (voz, ritmo, diálogo).
 10.3 Bloqueio relâmpago? Pausa curta, lembrar boletos, voltar ao passo 1.

11 . Pós-publicação (recall & palestras)
 11.1 Anotar trechos que viralizaram para uso em palestra ou curso.
 11.2 Atualizar banco de temas recorrentes; arquivar crônica aprovada.

12 . Reciclagem de material
 12.1 Movimentar crônicas em pastas por tema.
 12.2 Ao chegar a 30–40 peças → montar escaleta de livro ou série.
 12.3 Descartar textos datados; salvar frases fortes no “Arquivão de ideias”.

Seguir este fluxo integra as práticas mostradas em todas as 11 aulas: observação miúda, exagero consciente, humor auto-direcionado, revisão dupla, checagem legal e marketing sem culpa.


4. Mapa de temas recorrentes

TemaAulasCitação-sementeObservação / Foco
Poder performativo da palavra01-02“Um texto provoca nesse lugar.”Texto como ato que convoca plateia ou desencadeia crise
Narrar para sobreviver à ansiedade01-06“Narrar me acalmava.”Escrita = ferramenta de regulação emocional
Exposição & limites éticos01-07“Só queria provar que minha mãe lia meu diário.”Do diário infantil ao caso Sophie Calle
Voz autoral × mercado02-05“Você escreve como você falaria.”Elogio + barreira para novelas e roteiros coletivos
Anti-heroína ridícula04-05“Eu vou me expor o máximo ao ridículo.”Auto-zombaria como marca de persona
Concisão versus enrolação02-06“Briefing de 30 páginas vira frase de outdoor.”Guerra declarada à descrição ociosa
Popularidade sem culpa03“Não tenha vergonha de ser vendido.”Carreira orientada a leitores, não a elite
Mal-estar do roteiro industrial02-06“Subplot da página 18… não sei.”Crítica à ‘engenharia’ hollywoodiana
Coleta digital de ideias08“Me mando áudios no WhatsApp-solo o dia inteiro.”Arquivão antigo → áudios e grupos de WhatsApp
Observação do cotidiano como ouro08-11“Você não precisa da aurora boreal; basta a tia na cadeira.”Miudezas da Zona Leste rendem crônicas
Revisão profissional & anti-clichê09“Lugar-comum me dá aflição.”Revisora externa + passo Anti-lugar-comum
Humor, ironia e auto-zoeira09“Carrego na tinta para deixarem claro que é ironia.”Auto-pancada ≥ 50 % do texto
Originalidade versus lugar-comum09“7 × 1 já deu.”Busca contínua por frase que só a autora diria
Hater-leitor & provocação propositada10“O hater que me lê é meu melhor leitor.”Irritar/encantar simultaneamente como meta estética
Autopromoção multicanal10“Sou uma tímida exibida — estou no IG, TikTok, YouTube.”Marketing pessoal administrado pela própria autora
Bloqueio relâmpago & higiene mental08-10“Sofro, lembro dos boletos, volto a escrever.”Táticas de recuperação pós-crítica
Leitura por prazer & estilo próprio11“Se o livro te faz dormir, largue.”Manter leitura viva e sem culpa, base do desenvolvimento de voz
Saúde física × rotina de escrita08“Hoje gasto horas em fisioterapia para conseguir sentar e escrever.”Limitações corporais influenciam ritmo de produção
Feedback construtivo como lapidação02-10“Celina disse: era maravilhoso o que você escreveu sobre o vaso.”Professores, editores e colegas moldam, mas críticas destrutivas são filtradas
Diversificar formatos (‘atirar para todo lado’)02-08“Publicidade, colunas, roteiros, podcasts, teatro — tudo ao mesmo tempo.”Estratégia financeira e criativa contínua

5. Referências

IDAulaContexto da menção / aplicaçãoReferência (obra ‑ autor ‑ ferramenta ‑ projeto)
101Ferramenta de expressão e prova de bisbilhotice maternaDiário pessoal
201Cartilha usada pelo avô para alfabetizaçãoCaminho Suave
301Ambiente profissional onde ocorreu o sequestroAgência W/Brasil
401Figura-símbolo da publicidade brasileiraWashington Olivetto
501Revista que ofereceu a 1ª coluna após texto viralTPM
601Gêneros em que a autora “atira para todo lado”Podcast; filme; série; livro; crônica; peça de teatro
701Recurso terapêutico citado como influênciaPsicanálise / terapia
802Plataforma inicial de divulgação de crônicasBlog / site “Tati Bernardi”
902Série modelo para persona urbana-românticaSex and the City – personagem Carrie Bradshaw
1002Revistas masculinas onde publicou colunasVIP; Alpha; Playboy
1102Mentor que indicou oficina de humor na GloboAlexandre Machado
1202Séries globais em que trabalhouOs Normais; Aline
1302Autor da tira que originou série “Aline”Adão Iturrusgarai
1402Núcleo de criação humorística citadoGuel Arraes
1502Novelas em que colaborouSangue Bom; A Vida da Gente
1602Autores-chefe dessas novelasMaria Adelaide Amaral; Vincent Villari; Lícia Manzo
1702Série estrangeira usada como comparação de mercadoFleabag – Phoebe Waller-Bridge
1802Canal que aprovou (e engavetou) sérieHBO
1902Formato que adotou para autonomiaPodcast (roteirista / apresentadora)
2002Minissérie baseada em Nelson RodriguesA Vida Como Ela É
2103Primeira editora de livros da autoraPandaBooks
2203Editor/dono da Panda; autor de “Guia dos Curiosos”Marcelo Duarte
2303Programa de rádio onde lia crônicasBandNews – dir. André Luiz Costa
2403Livros iniciais publicadosMulher que Não Prestava; Tô com vontade de uma coisa que eu não sei o que é
2503Metas profissionais declaradasColuna na Folha; Flip; publicar na Companhia das Letras
2603Série de resenhas enxutas que mantémColuna “É Coisa Fina”
2704Obra que despertou fascínio leitorCapitães de Areia – Jorge Amado
2804Novela psicológica revisitada aos 20 anosO Alienista – Machado de Assis
2904Romance que a impactou no vestibularUm Copo de Cólera – Raduan Nassar
3004Trinca de autores formadoresClarice Lispector; Herman Hesse – O Lobo da Estepe; John Fante – Pergunte ao Pó / Arturo Bandini
3104Livro-gatilho para “Depois da Louca Sou Eu”Retrato de um viciado quando jovem – Bill Clegg
3204Livro-gatilho para “Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha”Apegos Ferozes – Vivian Gornick
3304Referências contemporâneas de autoficçãoAnnie Ernaux; Édouard Louis
3404Autor citado como “ficção que é fato”Pedro Mairal
3504Cronista mencionado como influência críticaAntônio Prata
3605Dramaturgo lido desde adolescênciaNelson Rodrigues (+ bio de Ruy Castro)
3705Romance prova de que “vale tudo” em literaturaLolita – Vladimir Nabokov
3805Ficcionista brasileira elogiada pela maldadeAndréa del Fuego – A Pediatra
3905Clássico da simplicidade adolescenteO Apanhador no Campo de Centeio – J.D. Salinger
4005Humorista que legitima exposição familiarDavid Sedaris – Dress Your Family in Corduroy and Denim
4105Livro de exagero confessional citadoÀs Favas com o Coração – Fernanda Young
4205Thriller existencial usado como motor de leituraVastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos – Rubem Fonseca
4305Peça favorita de diálogos claustrofóbicosDeus da Carnificina – Yasmina Reza
4405Dramaturgos complementaresEdward Albee; Nicky Silver
4505Conto paradigmático citado duas vezesA Terceira Margem do Rio – Guimarães Rosa
4606Romances próprios baseados em crônicasDepois da Louca Sou Eu; Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha; A Boba da Corte
4706Editoras envolvidasCompanhia das Letras; Fósforo
4806Ensaio crítico que define a crônica“A Vida ao Resto do Chão” – Antonio Cândido (Para Gostar de Ler: Crônicas)
4906Frase-gancho/mantra de aberturaA Metamorfose – Franz Kafka
5006Comparação conto × crônicaA Terceira Margem do Rio – Guimarães Rosa
5107Livro que apresentou o termo autoficçãoA Chave de Casa – Tatiana Salem Levy
5207Criador do termo e obra citadaSerge Doubrovsky – Fils
5307Teórico do “pacto autobiográfico”Philippe Lejeune – O Pacto Autobiográfico
5407Caso-arte sobre términoSophie Calle – Exposição “Cuide de Você”
5507Plataformas de autoexposição citadasInstagram; Twitter; BlueSky; Facebook
5607Exemplos de literatura de testemunho/memóriaNarrativas sobre ditadura, Holocausto, escravidão
5707Próprios livros como autoficçãoDepois da Louca Sou Eu; Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha
5808Rotinas de escritores citadasHaruki Murakami (corrida); David Sedaris (caminhadas)
5908Ferramenta de captura atualWhatsApp-solo (grupo com ela mesma)
6008Grupos de troca de ideiasWhatsApp de amigas; WhatsApp de cronistas Folha
6108Quadrinista/socióloga usada como referênciaLiv Strömquist
6208Romance citado como metáfora poderosaA Cachorra – Pilar Quintana
6309Manuais de estilo citadosManuais de escrita da Folha de S.Paulo
6409Profissional de revisãoRevisora da Companhia das Letras
6509Filme turco de diálogos mínimosClimas – Nuri Bilge Ceylan
6609Filme brasileiro citado como exemplo de verborragiaToque – Tatá Werneck (protagonista)
6709Modelos de diálogo elogiadosNora Ephron (When Harry Met Sally…); Noah Baumbach
6809Autor cujos filmes ela maratonou para diálogoWoody Allen
6910Plataformas de autopromoção (promo stack)TikTok; YouTube; lives; rádio
7011Autores/obras recomendados como leitura prazerosaMarguerite Duras; Eduard Louis; Annie Ernaux; Pedro Mairal
7111Gênero citado para nutrir comédiaStand-up comedy
7211Referência a evitar (crítica)“Livros de influencers e autoajuda” (categoria geral)

6. Mapa Mental Simples

🧠 Tati Bernardi – mapa mental geral
 📝 Impulso narrativo
  🔹 Poder performativo do texto
   - Texto convoca plateia ou cria encrenca
  🔹 Narrar × ansiedade
   - Crônica como autorregulação
  🔹 Exagero e autoficção
   - Fato real hipertrofiado vira literatura
 🎯 Carreira & mercado
  🔹 Atirar para todo lado
   - Publicidade, colunas, roteiros, podcasts, teatro
  🔹 Voz autoral vs. engenharia de roteiro
   - Mantém diálogos, delega matemática
  🔹 Popularidade sem culpa
   - Fila de autógrafos > elogio erudito
 🛠️ Ferramentas & processo
  🔹 Escaleta + crônica de 3 200 car.
   - Mini-blocos para livros e filmes
  🔹 Coleta digital
   - WhatsApp-solo, grupos-laboratório, arquivão
  🔹 Revisão dupla
   - Auto + revisora externa (anti-clichê)
  🔹 Ironômetro & anti-lugar-comum
   - Exagerar sarcasmo, caçar chavões
 😊 Humor & ironia
  🔹 Auto-zoeira ≥ 50 %
   - Bater em si antes de bater nos outros
  🔹 Anti-herói ridículo
   - Persona cai, falha, confessa
 ⚖️ Exposição & ética
  🔹 Limites legais (troca de nomes)
   - Proteção contra processo
  🔹 Direito de narrar a dor
   - Caso Sophie Calle como justificativa
 🚦 Público & promoção
  🔹 Hater-leitor como métrica de sucesso
   - Irritar + encantar = objetivo
  🔹 Promo stack multicanal
   - Instagram, TikTok, YouTube, lives, rádio
  🔹 Monitoramento e bloqueio relâmpago
   - Ler amostra, pausar, voltar a escrever
 📚 Influências & repertório
  🔹 Clássicos BR: Machado, Amado, Rodrigues
  🔹 Estrangeiros: Nabokov, Salinger, Fante, Roth
  🔹 Contemporâneos: Ernaux, Louis, Sedaris, del Fuego
  🔹 Modelos de diálogo: Nora Ephron, Noah Baumbach
 🔥 Temas recorrentes
  🔹 Família burguesa & furos de discurso
   - Podridão por trás da fachada
  🔹 Concisão vs. enrolação
   - “Briefing de 30 páginas vira outdoor”
  🔹 Ansiedade, fobias, ridículo público
  🔹 Observação do cotidiano (Zona Leste, padaria)
 💡 Leitura & saúde criativa
  🔹 Leitura por prazer, abandonar livro chato
   - Manter cérebro a favor da literatura
  🔹 Saúde física da escritora
   - Fisioterapia e pausas para sustentar escrita